RESUMO
Esta
pesquisa de doutorado se propõe a abordar os novos caminhos do teatro
contemporâneo através das possibilidades de tradução dos textos A Tempestade e Sonho de uma Noite de Verão, de William Shakespeare, para o teatro de imagens, sob os seus
conceitos de pouca ou nenhuma utilização da palavra falada, bem como da
desconstrução de uma dramaturgia linear. Para tal utilizaremos a transformação
dos arquétipos encontrados nos textos originais em símbolos imagéticos
correspondentes à sociedade contemporânea.
INTRODUÇÃO
“One of the things I never liked
in the theater of the nineteen-sixties, when I first came to New York, was that
there was never any time to think’... ‘Every thing was so speeded up. It was
never natural and there was no element of choice – you had to see what the
playwright and the actors wanted you to see. It seemed important to have a more
interesting experience than that!”[1]
Robert Wilson
A busca do teatro contemporâneo por
um distanciamento do texto dramático vem no mesmo viés da busca dessa pesquisa
que se iniciou já no final da dissertação de mestrado da mesma autora com
algumas perguntas que permaneceram pendentes. Ao analisar a cenografia do
teatro elizabethano do século XVI, foi inevitável abraçarmos tudo o que dizia
respeito à imagem da época, tanto no palco quanto no edifício teatral peculiar
desse teatro. Além de percebermos que havia na época uma preocupação imagética
muito maior do que pensávamos, já que este teatro permaneceu para a posteridade
pela importância de seus textos, foi possível perceber que a falta de um
pensamento comum que olhe para o imagético no palco elizabethano como algo
fundamental para a encenação vem da falta de uma compreensão da sociedade da
época e das suas convenções.
Foi através dessa percepção que
surgiu a necessidade de olharmos para a sociedade contemporânea sob esse mesmo
viés imagético. Pensando em conciliar as perguntas que já haviam sido
levantadas no estudo anterior com a vida profissional de iluminadora e cenógrafa,
e a crença pessoal da força que a imagem, quando bem colocada, pode exercer no
espectador, o primeiro grande obstáculo a ser transpassado foi como repensar a
encenação do texto shakespeariano para uma sociedade hoje muito mais voltada
para a imagem. Apesar de parecer uma questão simples a princípio, observemos que
o espectador contemporâneo não está disposto a se colocar diante da arte e
deixar-se envolver por ela de uma forma transcendental, ele está preocupado em
explicá-la de forma linear e textual. Vemos essa necessidade de informações
mastigadas nas nossas mídias, responsáveis por grande parte das imagens que
recebemos, que utilizam o conceito de imagem não pelo modo de sensibilização da
emoção, mas nos condicionam a uma assistência passiva - vide a publicidade que
geralmente se apresenta seguida de um texto explicativo.
A partir dessa compreensão percebemos
que para a imagem se tornar algo com uma força interior, o que Kandinsky[2]
chamaria de valores espirituais que estão implícitos em cada imagem através das
suas formas e cores, capaz de tocar profundamente tanto quem realiza como quem
presencia o teatro e tirá-lo de sua passividade, precisávamos atingir o seu
inconsciente. Foi então, buscando nos relacionar com o pensamento mais íntimo
do espectador, que chegamos ao teatro de imagens. Podemos notar que tal forma
teatral, que transcende a linearidade da história narrada do texto dramático,
utiliza-se de uma linguagem sintética, abarrotada de signos e símbolos, e por
isso tem uma estreita ligação com as nossas raízes mitológicas. Isto se deve ao
fato de que o que deixamos de perceber pelo texto linear passamos a ter que
sentir pela integração do espaço visual do teatro - elementos cênicos, objetos,
bonecos, humanos, cenário, luz, som, ritmo e atmosfera -, deixando nossa
comunicação mais subjetiva e introspectiva.
Apesar dos mitos terem sido
considerados no passado a base do alto conhecimento humano, hoje são vistos apenas
como histórias fantásticas sem nenhum significado mais profundo. O homem contemporâneo que pleiteia a sua racionalidade, se
vê ‘enlouquecido’ por histórias fantásticas sem perceber que o que o está
encantando não é a nova tecnologia 3D de um Avatar e nem o mundo imaginário de um Harry Potter, mas sim as questões mitológicas que estão subentendidas
nesses fenômenos mesmo que, aparentemente, sejam apenas contos de fadas para
crianças. Partindo das teorias de Jung[3],
as imagens primordiais ou arcaicas encontradas nos mitos são instintivas ao
homem, assim como a migração dos pássaros. Segundo as constatações de Joseph
Campbell, idéias comuns sobre questões primordiais para a sobrevivência e a
evolução do homem são encontradas em diferentes sociedades mesmo que não tenham
tido contato algum: a idéia de um Criador ou um Ser sobrenatural com poderes
sobre-humano; a idéia de um movimento cíclico com o Fim seguido sempre por um
Recomeço; o conceito de Bem e Mal que muitas vezes é visto sobre o signo dos
gêmeos etc. Sendo assim, porque acreditarmos que a sociedade atual tenha
simplesmente extinguido seus mitos? Para Mircea Eliade[4] os
conceitos mitológicos primordiais estão pulverizados de alguma forma na
sociedade contemporânea através de histórias que permaneceram vivas ou mesmo
nas religiões atuais.
Da mesma forma que o mito parece ter
sido deixado à deriva, existe certa injustiça sobre o teatro com ênfase na
imagem principalmente pela geração do teatro dramático que o coloca em um
patamar inferior. Segundo John Bell[5],
vai ser somente no Renascimento que se cria a idéia de um teatro popular em
contraste a um teatro de ‘valores intelectuais’. É nesse período que o teatro
de máscaras e de bonecos passa a ser considerado de menor valor, muitas vezes voltado
apenas para o público infantil, enquanto o ‘Teatro’ como forma de cultura passa
a ser o teatro do texto discursado e do ator. Se pensarmos que o primata é um
animal visual e o uso das palavras foi empregado posteriormente através de sua
evolução, talvez consigamos entender o desprezo dado ao uso das imagens. A
respeito dessa história Vilém Flusser[6] vai
dizer que as imagens no período pré-escrita tinham o propósito de representar o
mundo, porém o homem ao invés de servir-se delas apenas como representação
passa a vivenciá-las como verdade concreta. É assim que vai surgir a escrita,
com o intuito de substituir essas imagens na representação do mundo concreto
para que o homem voltasse a vivenciá-lo. Hoje temos o que ele chama de ‘imagens
técnicas’ que surgem com a mesma intenção de eterno-retorno, mas que por sua
vez são imagens que “imaginam textos que concebem imagens que imaginam o
mundo”, ou seja, toda imagem contemporânea está implícita ou explicitamente
enraizada em algo escrito.
A partir disso podemos concluir que todo
teatro de imagem, por mais distanciado que esteja da palavra, deve ter alguma
forma de texto por trás. Isso não implica na necessidade de se partir de um
texto ou de um poema para a sua criação, mesmo que se parta diretamente do
objeto e do que ele representa, chegará um momento da pesquisa que, mesmo mentalmente,
haverá a necessidade da criação de uma saga. O nosso desafio aqui consiste em
partir de um texto altamente conhecido pelo público atual, mas que foi criado
para um espectador completamente diferente disposto a ouvir e deixar que a
mente ‘visse’ o que faltava no palco. Para inverter esse raciocínio - deixar
que este texto transforme-se em imagem e que a imaginação da saga fique por
conta do público - vamos tomar como ponto de partida o uso dos arquétipos
segundo o conceito junguiano, que nada mais são que os símbolos que cada cultura
escolhe para representar uma imagem primordial. Pensando dessa quais seriam os
arquétipos de hoje?
A escolha dos textos A Tempestade e Sonho de Uma Noite de Verão deveu-se ao rico universo que estas
peças abrem para o mundo do inconsciente em vista das suas características de
um conto fantástico, mas que não deixa de colocar em voga questões como ética,
política e crenças. As figuras que aparecem na história vem seguidas de toda
uma reflexão sobre o ser humano. Se compreendermos que na Inglaterra
Elizabethana havia uma confluência entre a religião Cristã e os mitos pagãos, e
que este foi um dos poucos países onde não houve caça às bruxas durante a Inquisição,
a figura de um mago branco, com poderes sobrenaturais (Próspero), passível de
fazer de um espírito (Ariel) seu escravo e de criar uma tempestade em seu
benefício, é uma figura muito mais concreta para a época do que imaginaríamos
nos dias atuais e jamais pode ser analisada sobre os aspectos do Bem e do Mal
das religiões Cristãs. O mesmo acontece com Titânia que estaria completamente
fora dos padrões Disney de uma fada. O arquétipo da criança divina encontrada
em Ariel e a figura da escuridão encontrada em Caliban, estão muito mais
ligadas às questões da natureza do que as questões do Céu e do Inferno. É
interessante notarmos como Shakespeare mistura personagens tanto da mitologia
Grega como da mitologia Celta, lembrando que nas duas civilizações a relação
divino-humano, mortal-imortal é muito mais próxima do que na Cristandade. Cabe
aqui pensarmos então que imagens substituiriam esses personagens hoje?
Por fim, apesar de querermos esmiuçar
um texto dramático e transformá-lo em imagem, não pretendemos de forma alguma gerar
um desprezo ou uma crítica ao teatro dramático, pelo contrário, a idéia aqui é
apenas buscar novas formas de representações que condigam com a imagética
sociedade contemporânea.
OBJETO
Para
inserirmos um texto shakespeariano na sociedade contemporânea precisamos
primeiramente distinguir esses dois mundos. Para sobreviver aos seus
concorrentes atuais – Cinema, Televisão e Tecnologia Virtual -, o teatro
contemporâneo vem buscando novas formas de encenação, principalmente no que diz
respeito às imagens na cena. Além disso, o espectador mudou completamente
nesses últimos 500 anos. Se na Inglaterra Renascentista as pessoas ficavam
quatro horas em pé assistindo a um espetáculo teatral, hoje poucos conseguem permanecer
diante dele por mais de uma hora e meia. O homem contemporâneo está acostumado
a uma vida frenética com diversas atividades, assuntos e informações
bombardeando sua mente concomitantemente. Dessa forma precisamos chegar a um
tipo de imagem na cena teatral que consiga atrair o olhar desse novo homem e
tirá-lo de sua inércia.
Foi
pensando na busca dessa imagem que surge a idéia de conceituar e pesquisar as
formas de se desconstruir um texto shakespeariano para uma encenação imagética,
sob o eixo da análise e tradução dos seus arquétipos. Isto porque
compartilhamos das idéias de Jung que defende que toda e qualquer sociedade tem
seus arquétipos simbolizando seus mitos e acreditamos que podemos achar
arquétipos equivalentes na sociedade elizabethana e na sociedade contemporânea.
Nos firmamos na hipótese de que para mantermos a mesma qualidade e conteúdo do
texto dramático em questão, é necessário pensarmos em um teatro de imagem que
aceite percorrer um mundo subjetivo e inconsciente não só por parte do público
receptor, mas também por parte dos seus encenadores que terão que se deixar
levar pelos mitos adormecidos no mais fundo do seu íntimo. Entendemos que os
problemas encontrados no âmbito da compreensão desse tipo de teatro por parte do
espectador estão ligados à falta de introspecção do público contemporâneo e não
simplesmente à falta de um texto linear. Quando a intenção, a idéia, a busca do
encenador está clara no seu processo de criação, o uso das imagens se torna
específico e direto, não deixando margem para o excesso e consequentemente algo
vai ser recebido por este espectador, seja no seu consciente ou no seu inconsciente.
Ao
optarmos por um teatro que se distancie da palavra falada, somos obrigados a
nos deparar e abrir todo um viés de discussão a respeito dos quesitos técnicos
teatrais - nem sempre tão essenciais no teatro da forma dramática -, bem como das
questões do uso das tecnologias digitais no palco. O teatro, como uma arte
aglutinadora de várias outras - música, dança, artes plásticas etc -, também
tem em sua essência a necessidade de aglutinar o mundo digital e virtual. A
grande questão a ser levantada é como usarmos essa nova tecnologia sem
deixarmos de fazer Teatro. Como fica então a necessidade do encontro presencial
entre palco e platéia? Qual o peso dessas imagens multimídias no teatro?
Depois de discorrido isso, parece
irrefutável a relevância desse projeto perante as discussões da sociedade teatral.
É visível que a sociedade acadêmica está buscando uma nova estética de
encenação com um afastamento do texto dramático e ainda temos um vasto campo a
ser debulhado. Se vamos lidar com um mundo onde a imagem predomina, temos que
pensar que tipo de imagem é essa e como ela pode ser utilizada sem que haja sua
banalização. Será que o homem contemporâneo só está apto a lidar com as imagens
de maneira passiva ou podemos repensá-las de uma forma mais profunda?
QUADRO TEÓRICO DE REFERÊNCIA
INTRODUÇÃO
- FREITAS, Juliana Pedreira. A Cenografia no palco de Shakespeare: dissertação
de mestrado da mesma autora que servirá para localizarmos os conceitos de
imagem na cultura e no teatro elizabethano.
- HODGES, C. Walter. Enter the Whole Army: a pictorial study of
Shakespearean staging 1576-1616: livro que serviu de base para o mestrado
da autora, apresenta possibilidades de cenários que teriam sido usado no teatro
do século XVI e servirá aqui como contraponto para a busca das imagens
contemporâneas.
CAPÍTULO
I
- BACHELAR, Gaston. A Poética do Espaço:vai discorrer sobre
os conceitos da imagem que surge no universo do leitor através do uso da
linguagem poética nos textos. Analisando os espaços físicos, casa, ninho,
gavetas, armários, conchas etc., fará um paralelo em relação às emoções
adormecidas que cada um deles é capaz de despertar.
- FLUSSER, Vilen. A filosofia da caixa preta: neste caso o conceito proposto é de
que as imagens modernas não podem mais se encontrar desvinculadas de um texto,
seja ele explícito ou implícito.
- KANDINSKY, Wassily. Concerning the Spiritual in Art: base
para o conceito da espiritualidade da imagem, tem por base a teoria de que toda
obra artística está imbuída desta. Sendo assim, o que importa é o que a imagem
vai gerar na alma do interlocutor e não meramente suas formas e cores.
CAPÍTULO
II
- CAMPBELL, Joseph. A Transformação do mito através do tempo e
O herói de mil faces: será utilizado para discutir a situação do mito na
sociedade contemporânea.
- ELIADE, Mircea. Imagens e Símbolos: estudo das imagens
e símbolos, principalmente os sagrados, e sua relação com cada sociedade.
___________ Mito e Realidade: base para as questões do mito: sua estrutura; o
mito como uma história sagrada e sobrenatural necessária ao homem pelos seus
ensinamentos; a busca de sua origem através da renovação dos ciclos; os mitos
apocalípticos e os ritos de iniciação.
- JUNG, C. O Homem e Seus Símbolos: é a partir daqui que trataremos os
conceitos básicos usados para a tradução de Shakespeare em teatro de imagem:
conceitos de arquétipo, de inconsciente e de inconsciente coletivo.
CAPÍTULO
III
- AMARAL,
Ana Maria. O Teatro de Formas Animadas:
importante como referência histórica, a autora discorre sobre os grandes
movimentos de vanguarda que influenciaram na criação do que vai chamar de teatro
de formas animadas, passando por Alfred Jarry, Gordon Craig, Escola Bauhaus, o Futurismo
Italiano e o Futurismo Russo, o Dadaísmo e o Surrealismo, a Performance e Bob
Wilson.
- Robert Wilson: The Theater of Images: necessário para conceituar as origens do teatro de
imagens de Robert Wilson e as suas intenções como encenador, bem como os
resultados que este teatro tem quando completado com a presença do público.
CAPÍTULO
IV
- BURRIS-MEYER, Harold and
COLE, Edward C. Scenery for the Theatre:
the organization, processes, materials and techniques used to set the stage:
conceitos de técnica de palco, sua prática e ferramentas.
- CHAPPLE, Freda & KATTENBELT,
Chice. Intermediality in Theatre and
Performance: coloca em discussão a relação entre a tecnologia digital e a
prática teatral, como fica o mundo virtual inserido no mundo vivo do teatro e a
relação dessa nova forma de performance com este novo público contemporâneo.
OBJETIVOS
GERAIS
Como objetivos gerais temos o estudo
dos conceitos de imagem, visto sob a ótica do teatro, através da análise da transformação
do teatro dramático para um teatro de imagem. Como um texto pode ser traduzido
em imagem sem que se perca a profundidade de suas idéias e intenções? Como tocamos
o espectador usando apenas imagens?
ESPECÍFICOS
Para tal, voltamo-nos à análise do
texto shakespeariano e escolhemos duas peças: A Tempestade e Sonho de uma
Noite de Verão. A escolha se deve ao fato de encontrarmos nas duas uma
grande quantidade de símbolos mitológicos e representações de rituais
encontrados na Inglaterra Pagã, bem compreendidos pela sociedade da época e
distante do homem atual. Mesmo vivenciando uma cultura onde a religião Cristã
já estava instalada, os mitos pagãos ainda eram muito presentes e o povo inglês
estava apto a entender e se identificar com seus significados. Dessa forma, é
possível levantarmos arquétipos bem definidos através da leitura e análise destes
textos, facilitando nossa intenção de usá-los como base para a tradução do
texto original em símbolos imagéticos correspondentes à sociedade contemporânea
sem perder a sua essência. O que representa pra nós essa Ilha de medos e
belezas, povoada e deserta? Este Sonho de uma só noite em uma floresta cheia de
mistérios? Essa tempestade que tem o
poder de restituir a ordem? A descoberta de um novo mundo pelos que estavam ali
presos? Curiosamente Robert Wilson coloca que assistir a um teatro de imagem é
como estar imerso em um sonho aonde elementos vem e vão, sem se ter controle
sobre eles.
A pesquisa partirá de uma
realização no âmbito teórico, através de uma pesquisa qualitativa
bibliográfica, em busca de conceitos e teorias já circulantes que respaldem o
tema em questão. No primeiro capítulo trataremos de diferentes conceitos de
imagem, com base em alguns autores: Bachelard, Kandinsky e Flusser. No segundo
capítulo passaremos a englobar um mundo mais subjetivo, onde traremos a tona
questões de psicologia e mitologia, por acreditarmos que este mundo mais
intuitivo está extremamente ligado a simbologia das imagens que queremos buscar.
Para tanto usaremos os conceitos da psicologia junguiana bem como autores que
discutam a mitologia nos dias de hoje como Campbell e Eliade. O capítulo
seguinte tratará dos processos de criação de um teatro de imagens e terá tanto
uma pesquisa teórica qualitativa quanto uma pesquisa prática baseada nas
experiências realizadas pelo grupo de estudo mantido pela Profa. Dra. Ana Maria
Amaral, que visa discutir as diversas possibilidades de criação desse tipo de teatro.
No quarto capítulo permanecermos nas duas linhas de pesquisa: teórica no que
diz respeito à história da tecnologia no teatro; e prática no que diz respeito às
novas tecnologias, através de experiências profissionais da pesquisadora.
Fecharemos o estudo com um capítulo de pesquisa prática dedutiva dividida em
duas etapas: primeiramente uma pesquisa individual em busca dos elementos
arquetípicos a serem escolhidos como objetos específicos de estudo; e
posteriormente uma pesquisa em grupo, coordenado pela pesquisadora, para o
desenvolvimento e tradução desses elementos em teatro de imagem através dos
pontos de vista dos diversos integrantes. O fechamento do trabalho será feito
tanto pela entrega do material teórico, bem como de toda uma documentação do
processo da pesquisa em grupo através de croquis, fotografias e filmagem, e pela
apresentação dessa pesquisa prática possivelmente em uma fragmentação de cenas.
Por fim discutiremos, a partir do material conseguido, a transformação dos
conceitos de um teatro dramático para um teatro de imagens e a sua relação com
o público contemporâneo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conforme discorrido, o que se
pretende aqui é dar continuidade a algumas questões que foram levantadas
durante a pesquisa de mestrado da mesma autora, intitulada A Cenografia no palco de Shakespeare, sendo a principal delas o
papel imagético do teatro em relação aos conceitos da sociedade de sua época. Voltemos
ao nosso ponto de partida: como deixar que um texto tão conhecido do público se
transforme em imagens? O nosso maior desafio será entendermos que imagens serão
necessárias a este teatro sem caímos no modismo do uso tecnológico.
Ao decorrer de nossa busca foi
possível, até o momento, perceber que para chegarmos a imagens fortes e não
banalizadas teremos que nos deparar com as questões mitológicas do homem. Se a
dramaturgia do teatro de imagem tem relação, como já colocado, com a estrutura
de um sonho, a falta dessa linearidade faz com que precisemos apelar para o
inconsciente do homem, não só do espectador, mas também do encenador. Muitas
vezes se torna difícil explicar como e por que aquele objeto surgiu, por que se
escolheu este ou aquele símbolo e por que ele tomou determinado rumo e não
outro. Parece que as coisas são mais compreendidas nas idéias do que nas
palavras. O próprio ser-objeto-personagem se cria por si só, como se não
fossemos mais que meros veículos para aquela criação. O processo de criação do
teatro de imagem está no nosso subconsciente, nos mitos arraigados em nosso
ser, em outro patamar que não o racional. Sendo assim, podemos dizer que a
surpresa, o espanto, o gozo e as reações diante de um teatro de imagens são as
mesmas que os nossos antepassados tinham diante dos seus rituais. Somente se
deixando levar e acreditando naquilo que está sendo colocado em cena, mesmo que
seja por um instante, é possível se envolver e tirar algum proveito dele.
SUMÁRIO DA PESQUISA
Introdução – Do texto e sua
contextualização
1.1
Contextualização histórica (breve)
Quem é o povo inglês do século XVI?
1.2
A crença na sociedade elizabethana
Confluência entre a religião Cristã e os mitos pagãos
O rompimento com Roma e a criação da religião
anglicana
A ausência da Inquisição romana
1.3
O teatro na sociedade elizabethana
O teatro público, formação e características
O teatro privado e da corte
A concepção de grupo teatral
Os grupos itinerantes
1.4
Shakespeare
A concepção de dramaturgo
A força do texto na sociedade
1.5
A imagética na sociedade elizabethana
Walter C. Hodges
A cenografia
O figurino
O som
Os efeitos especiais
Capítulo I – Dos conceitos da imagem
4.1
Vilém Flusser: imagens técnicas
4.2
Bachelard: as imagens poéticas
4.3
Kandisnky: os valores espirituais das imagens
4.4
A imagem nas artes
A
imagem da luz
A imagem do cenário
A imagem do elemento cênico: objeto, boneco, ator
A imagem da palavra
A imagem do som
4.5 A imagem na
contemporaneidade
Capítulo II – Das concepções de
arquétipos e Mitos
2.1
Os conceitos de Jung
A religiosidade nas escritas de Jung
Consciente e Inconsciente
O arquétipos
Inconsciente coletivo
Os sonhos
2.2
O Mito: dramaturgia do sagrado
Joseph Campbell
Mircea Eliade
Jacqueline Held
2.3
A imagem do mito e os rituais na contemporaneidade
Capítulo III – Dos processos do teatro
de imagem
3.1
Origens
Vanguardas do século XX (breve)
Gordon Craig e a concepção do encenador
Carlson – síntese abstracionismo, simbolismo,
surrealismo, futurismo
3.2 Robert Wilson
3.3 Ana Maria Amaral
3.4 Bread and Puppet
3.4
Dramaturgia da cena
Capítulo IV – Do teatro e sua relação
com a tecnologia
4.1
O história do teatro e sua relação com as novas tecnologias
maquinaria cênica: evolução dos recursos mecânicos
concepções cenográficas: bidimensional, tridimensional
e virtual
técnicas de iluminação: fogo, gás, eletricidade, digital
efeitos especiais: técnicas ilusionistas analógicas e
digitais
técnicas de sonoplastia: analógicas e digitais
4.1.1 Pensadores
Appia e Craig
Meyerhold e Piscator
Josef Svoboda
4.2
A tecnologia digital e a prática teatral
Como
fica a necessidade do encontro presencial entre palco e platéia?
O
virtual no palco se tona ‘ao vivo’?
Qual o
peso das imagens multimídias no teatro?
Qual a relação da performance virtual com o público
contemporâneo?
4.3
A tecnologia e o teatro de imagens
Qual a essencialidade dos quesitos técnicos num teatro
de imagem?
A falta de conhecimento técnico/prático banaliza a
concepção de um teatro de imagem?
Capítulo V – Da transformação prática do
texto à imagem
5.1
Processos práticos da busca pela dramaturgia da imagem: estudos e reflexões
realizados nos processos do grupo de estudo
5.2
Os elementos simbólicos encontrados no texto e suas possíveis variações para os
arquétipos do homem contemporâneo
5.3
Concepção, análise e registro das imagens encontradas
Imagens bidimensionais e tridimensionais
Materialização de uma idéia
Formas e movimentos
Resultados sob a luz
As imagens e suas Sombras
A anima da imagem
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AMARAL,
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CRONOGRAMA
DAS ATIVIDADES DE PESQUISA
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1º sem.
2011
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2º sem.
2011
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1º sem.
2012
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2º sem.
2012
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1º sem.
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2º sem.
2013
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Pesquisas
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Revisão e finalização
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X
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Preparação apresentação
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[1] Robert Wilson: The
Theatre of Images. p.54
[2] KANDINSKY, Wassily. Concerning the Spiritual in Art.
[3] JUNG, C. O Homem
e seus Símbolos.
[4] ELIADE,
Mircea. Mito e Realidade.
[5] BELL, John. Bread and Puppet Theatre and the
Rediscovery of Performing Objects.
[6] FLUSSER, Vilen.
A filosofia da caixa preta. p. 14